Sou dessas: Pronta para o combate, de Valesca dos Santos
Primeiramente, preciso deixar uma coisa bem destacada aqui: eu adoro a Valesca, mas não sou apaixonada por funk. Não é exatamente um gênero musical que eu sempre abro o YouTube e coloco para tocar enquanto trabalho. Abro de vez em quando, mas não seeeempre, sempre. Porém o fato de eu não ser amante de um tipo de música não me deixa cega para todo um contexto importantíssimo de representatividade, conversas sobre racismo, machismo, transfobia e um monte de outras coisas que muitas funkeiras (e de outros gêneros, Karol Conka, casa comigo, por favor) têm falado por aí.
Também não me impede de ouvir uma ou outra música desse gênero, de gostar de um ou outro single. Calma, amigos roqueiros da época do ensino médio: não é porque eu balanço meu traseiro ouvindo “Tá Pra Nascer Homem que Vai Mandar em Mim” que eu joguei fora meus CDs do Garbage, do Blink-182, da Pitty ou do 30 Seconds to Mars. Não, gente, tem espaço para todos aqui.
Para quem não sabe, além de autora, revisora e resenhista, sou professora também. Já dei aula em uma escola no Rio que era composta de, basicamente, alunos da Rocinha e do Vidigal. E, gente, como o funk é algo incrível para uma boa parte deles! A alegria de saber que Ludmilla lançou uma música nova, ou Anitta falou algo que virou meme, ou qualquer coisa do tipo era motivo para conversas longas sobre todo tipo de coisa. Já fiz aulas de produção textual em cima desses temas e músicas. Maravilhosas, como foram aulas boas!
Ou seja, eu tenho motivos de sobra para respeitar e admirar esse gênero musical. Não gosto daquelas músicas machistonas e tals (que existem em QUALQUER TIPO DE MÚSICA, vai lá olhar as letras de um monte de deus do rock lá, pra você ver só!), mas respeito muito o funk como um todo e acho que há um preconceito idiota em cima dele só por ser um gênero que veio do morro. E não me venham com o papo de “ah, mas as letras…”, que tem muito funk com letra incrível e muito MPB com letra que me deixa “mas, gente, o que é isso…?”.
Dito isso, vamos ao livro.
QUE LIVRO MARAVILHOSO.
Primeiro porque a história da Valesca é fascinante. Vai mesmo achando que cantora de funk é burra, é fútil, é isso, é aquilo, vai!! A viada falou em 188 páginas muito mais bonito que muito coleguinha de Facebook com mestrado e doutorado em qualquer-coisa por aí. Descobri coisas dela incríveis, posturas, pensamentos, opiniões, várias coisas muito, muito legais. QUE MULHERÃO!
Segundo porque o livro dela tem debate sobre tudo quanto é coisa! Papel da mulher na sociedade, machismo, sororidade, homofobia, tudo que vocês imaginarem tem ali. E não pensem que eu gostei só porque concordo com tudo que ela diz: não concordo. Por exemplo, a opinião dela sobre aborto é diferente da minha. Mas, bicho, é a opinião dela dada de forma a não querer dizer que eu sou isso, isso ou aquilo por pensar o oposto dela. Não, não, não, ela dá a opinião dela na vibe “eu sei que fazer X é importante, por isso defendo que se faça X para que quem faz Y não sofra, mas não concordo com a prática de X”. SIMPLES ASSIM. Veja, ela não me chamou de nomes feios, não veio com papinho torto sobre coisas aleatórias. Simplesmente deu sua opinião de forma respeitosa, e pronto! AMÉM!
Valesca escreve um livro gostoso, cheio de temas importantes, conta coisas sobre ela que a gente nem imaginava, fala sobre como virou a Valesca Popozuda, sobre sua família, seus fãs, sua importância na comunidade LGBT… Poxa, gente… O que mais cês querem? Só para vocês terem uma ideia, eu não consegui separar meu trecho preferido. Ah, não acreditam? Então olhem minhas marcações:
Essa é a diva que eu quero me casar!
Não, espera… Já sou casada. Me contento em ter um CD dela, então.
Calma, amigos roqueirudos do ensino médio… Prometo que só vai ser o da Valesca.
E da MC Carol.
E da Karol Conka.
E da Ludmilla.
Aí paro.
Até surgir outra diva assim…
Acostumem-se, coleguinhas góticos suaves! Meus ouvidos, minhas regras!
:)
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